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24 fevereiro 2009

"...la festa píu famosa del Brasile è il Carnevale" (La Stampa, Itália) - parte 2.




Since 1500 - nos somos local de investimento de capital excedente (nossa taxa de juros se mantém entre as maiores do mundo); fonte de matéria prima abundante (exportamos commodities) e somos mão-de-obra barata (R$ 415,00/mês). Como diria um grande filósofo brasileiro, Zé Ramalho: Eh, ôô, vida de gado. Povo marcado, ê. Povo feliz!


Acrescentamos a isso mulheres peladas e os melhores jogadores de futebol do mundo. É! Somos a terra do futebol e nossas mulheres sempre estão entre as mais belas do mundo; e com um diferencial - elas andam seminuas pelas ruas e no carnaval tiram o pouco que ainda resta. E tudo vira festa e cantamos em outros idiomas, para que todos entendam: "We are Carnaval / We are folia / We are the world of Carnaval" (Jammil).


O que mais me impressiona é como o tolo munido de sua ignorância é capaz de se orgulhar do lixo que produz. Todas as classes desse país estão envoltas nisso: A classe A vai de camarote e faz da Sapucaí uma espécie de coliseu - aonde a classe B (que também corre do leão - IR) se exibe feliz na arena da festa bancada pelo tráfico de drogas e pelo Jogo do bicho. A classe C, que agora recebe o nome de " A comunidade", trabalha o ano todo nisso e os artistas - que não fazem arte- durante esses quatro dias não os responsabilizam pelas balas perdidas e outras pragas que configuram o quadro de guerra civil que vive o Rio na atualidade.


Na quinta-feira tudo volta ao normal: Os ricos voltam a seus postos e estudam maneiras - junto aos políticos - de explorarem mais as classes B e C. A classe B tenta cobrir os cheques e o cartão de crédito, pois tentar parecer rico tem custo. Os pobres voltam à vida dura: transporte público, escolas públicas, hospitais públicos e a pobreza. Não, não é o pão e circo. É o churrasco e o carnaval! O povo brasileiro possui uma inércia ( há 500 anos) que a própria física não explicaria. Mas o fato intrigante é que essa tal inércia é só para coisas produtivas, para coisas improdutivas eles dão o famoso “jeitinho”.


Durante esses quatro dias de "folia" fiquei o observar o que falariam de nós os maiores jornais do mundo. O jornal The New York Times nos ignorou - simplesmente não tocou no assunto do carnaval brasileiro. Já o jornal “La Stampa” (foto acima) fez a critica que comprova o que falo aqui neste texto. Traduzindo o que está escrito em baixo da foto do jornal: "Também para 2009, além das cores e danças, o carnaval no Rio foi marcado pela sensualidade e transgressão dos seus participantes. Estas imagens falam por si."

If we are carnival, The NY Times doesn’t care. Il quotidiano La Stampa ha mostrato solo la sua visione per la spazzatura che si produce per il mondo culturale, enquanto permanecemos inertes diante de uma realidade de 500 anos. Falando em cultura, assim disse certa vez certo ministro da cultura: “De um lado esse carnaval / De outro a fome total”.
É o paradoxo estendido na areia!

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